Passados três dias e ainda dói. O gremista Mário Quintana diria, em adaptação ao seu poema Mapa, que: "sinto uma dor infinita, dos títulos que como gremista, jamais conquistei". Essa dor só existe por ter assistido o Imortal valente em campo. Hoje, assistir e acreditar no Grêmio é como torcer para um Sansão, desprovido de suas tranças, livrar-se do moinho dos Filisteus.
Pelé, dito por muitos de seus contemporâneos como o maior dos maiores, ao marcar seu milésimo gol, em 1969, extrapolou a esfera do futebol e asseverou que deveríamos pensar nas criancinhas. E hoje, com um filho de pouco mais de três meses em casa, assisto o Grêmio ser expurgado de mais uma competição e não posso deixar de pensar nos pequenos.
Penso naqueles que nasceram no final da década de 90 até hoje. Imagino se daqui a alguns anos, meu filho não virará para mim e dirá, fazendo uma releitura da música do vermelho Gaúcho da Fronteira: "Mas que Grêmio é esse que eu recebo agora?/ Com a missão de conquistar a Taça./ Se desse Grêmio que me fala história/ Não nos restou nem sequer a Raça".
Conta-se no entanto, que houve um experimento com macacos que eram punidos com jatos de mangueira quando algum dos seus companheiros buscava as bananas do alto da escada, dentro da jaula em que se encontravam. Quando perceberam a relação de causa e consequência, passaram a impedir os gulosos de subir a escada, utilizando-se de violência. Com o tempo, os macacos foram sendo substituídos, mas a prática de impedir os companheiros de subir as escadas perdurou, ainda que nenhum dos macacos que lá estava teria na vida tomado um banho de mangueira. Isso acontece porque foi criado um paradigma. A prática consuetudinária do "sempre foi assim".
Desta forma, prefiro acreditar que ele terá orgulho do Grêmio. Esse Grêmio forte que eu lhe contarei, ainda que nunca tenha visto. Porque este Grêmio forte não é percebido pela mera observação, mas sim, pela crença no paradigma alimentado por todos os gremistas.
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